Wednesday, September 05, 2007




No fundo da gaveta repousam as dores que eu tenho prazer em sentir.
É uma companhia sufocante que tinje de cinza este cômodo infinito. E eu já não me vejo e nem mesmo sou vista.

A vida ficou opaca devido ao brilho que não se soube usar. Ousar.

E eu tentei ser Deus, e tentei ser Nada. Nem uma coisa, nem outra, hojé sou só mais um na multidão de paralíticos.

Sem placas e sem carona, só abismos a serem sobrevoados...mas acontece que eu acabei cortando minhas próprias asas..


. vestido sem remendos .


Nunca é dia para rimar
O lápis quebra ponta
a pressão da vida humana
As fibras que tecem o papel sentem
aquilo de celulose salta pra outro tecido
O texto tem emaranhado de riscos
tem fonemas
Conjunto de ligações enigmáticas
Como a interrogação que não quer ser respondida
Nem calculada, nem dita
Muito menos posta em diário
Mas nunca quebrada
muito menos rasgada
desfeita em trapos diários
de um velho vestido desbotado.

03/09/07 - 23h17min - Talita e Alain Patrick