
Ás vezes eu gosto de passar algum batom só pra vê-lo manchar o cigarro.
Rosa, vermelho, passional.
Pra você eu posso ser sempre a mesma, ou nenhuma.
E pra mim, eu sou qualquer coisa.
Depende do vento, da noite, se a cerveja está gelada ou se eu não tenho dor de cabeça.
Depende do jeito do cabelo, do gosto da comida, do silêncio, do medo.
O silêncio do medo.
Eu até gosto da casa vazia quando vejo cenas mudas e belas se dissolvem em frases desnecessárias.
Hoje venta, o batom ficou no cinzeiro, a casa é escura, e é em você que eu vou pensar até que alguém apareça apertando aquela campainha, perguntando 'como vai? vai bem?'...
Eu queria poder responder à todas as suas perguntas.
Mas o cigarro sempre vai pro lixo...e o batom...o batom sempre se gasta, independente da cor.

