Corria. Que de pés vermelhos se fez, de pêlos e tamanhos, tinha. Pra trás as caixas. Cores e linhas. Botões, branco, preto. Sapatos. Coisas que não via. A sala caixa. Céu estufa de alfaces. Tanto corriam. E tanto pra trás doíam, os pés. Altos os sapatos. Corria. Da moça que sabe amor. Sem sobra. Corria sem pé. Nem cabeça mais tinha. Nem moça, nem escolha. Ia. Por fome. Por mais. Por fora dentro. Corria.
Tuesday, November 09, 2010
Wednesday, November 03, 2010
Quanto mais sinto mais quero me enfiar no limbo que é amanhecer ao léu, com frio e sem sono, "cê não tem um cigarro aí, não?", querendo mais, mais, mais, que anoiteça por favor! Que saiam os tigres de papel de seus esconderijos e se percam no confuso artifício da embriaguez. Na confusa vontade de não ser. Na corda bamba entre amar e fazer mal. Nas entrelinhas de olhos e mãos. Nas horas que ainda faltam. Há muito tempo os filmes que vejo deixaram de ser felizes. As mocinhas são confusas e os heróis, geralmente, cheiram à cerveja e fumo. E me olhando assim, de perto, tenho a quase impressão de que sou mais um dos inúmeros figurantes dentro da história, a qual, pensei que fosse a minha.
E tento, agora, esquecer das cenas, falas e os finais de frase a rimar. As mais verdadeiras serão as mais duras, sufocantes e curtas. O que vai ficar no final será desorientação, dúvida e nenhuma resposta.
Tudo tem prazo de validade. Tudo.
Então, tapa-me a boca e vem.

