Sunday, December 31, 2006

"Só o tempo cura..." - Mas e se não for doença????


Com o correr de engrenagens e calendários a cor vermelha da saia da moça vai-se alaranjando, e a pintura de um pôr-do-sol é engolida pelo breu e postes finos.
Na gaveta ao lado estão frases, luas, rostos, cheiros, gostos, fantasmas...fantasia...
Esta noite fecho os olhos e prefiro deixar o tempo preso no relógio, limitado aos ponteiros, e o excesso de bom senso debaixo do tapete sujo.
Uma lágrima é o tempero, uma gota analgésica. Vou viajar num sono em que de nada valerá o branco desespero cotidiano.
Onde a saia da moça é e será sempre de um vermelho mais vivo que o sonho.

Saturday, December 23, 2006

Pro Manoel





Acredito que dar um passo maior do que a pernas, é ter consciência, mais tarde, do quanto elas ainda têm por crescer.
Eu salto todos os dias...Cultivo dúvidas, medos e sêde que não me deixam parar.
Os dias sem movimento são cinzas, um homicídio cometido por quem apenas se deixa levar.
Lutar pra consertar um erro, é mais digno que se fechar na ilusão de estabilidade, ou de perfeição.
Errando eu me sinto viva. Arriscando, sou livre....Eis meu pão de cada dia.

Amo-te, papai.

Tuesday, December 19, 2006

Ao Seu José ... 1889 - 1954


Os ruídos chegam aqui mesmo em absoluto silêncio...e aí Seu José, faz silêncio onde está?
Você está??????

Os dogmas nunca foram certezas...são como pípulas de Aspirina destribuidas de graça ao pé da cama do povo.
Não quero o mecanismo. Quero a busca. Aquela que cansa, que sangra, que condena.
Sem mais....Sem améns.

"Somente quem possui o caos dentro de sí é capaz de produzir uma estrela que dança..." (Nietzche)

Ateliê


No meio dos papéis guardados
há todo e nenhum sentido
Nenhum sentido horário
em tanta coisa mastigada
atropelada, embrulhada e amanhecida
Tudo o que faço e o que não faço
vai ecoando suave no meu universo
Eu serei coisas feitas e desfeitas
Costuras, laços, e nós...
...só que ás vezes cegos...

Friday, December 15, 2006

. hj eu só sei chover .


(...)

De manhã eu vi Macabéa no espelho

(...)

Saturday, December 09, 2006

Paradoxo dos dezoito, ou da vida inteira


Perambular entre orgânicos e tóxicos...meditar no verde e mergulhar no vício... depender dos comprimidos e reprimir a dependência... levantar às seis diariamente e pregar a libertação... querer queimar os dogmas e depois dizer SIM... dizer: É VERDADE e mais tarde duvidar de todas elas... ser EU e depois ser NINGUÉM...ser NINGUÉM e depois ser TODOS.

Sobre livros de auto-ajuda

O sal da vida está em procurar, perder, achar maneiras, curas, saídas...se começarmos a querer depender de fórmulas, os dias vão perdendo tanto o sabor, que vão se transformando apenas em um prato vazio...ou o que é pior: em fome.

. é imoral, é ilegal, ou engorda .



As fumaças condenam, os goles provocam olhares gelados...
Quem é errado? O que é errado?
A platéia vaia, e o fim da noite é uma parede branca gritante, com verbos pixados por todos os lados. Dedos indicadores, placas, relógios, manuais, e tudo o mais do que a gente já não precisa.

. branco e preto . cinza . preto e branco .


O almoço solitário numa mesinha de shopping center me faz pensar na mediocridade a qual estamos sempre sujeitos...Este almoço caro é tão medíocre quanto a minha conformidade ao que me é sobra e resto.
Mas ainda resta uma taça do vinho, servindo pra entorpecer e enfraquecer a mesmice impregnada nesta carne, nestes passos, nestes espaços, nesta tarde de verão...
...agora só me falta um cigarro...

Tuesday, December 05, 2006

estrelas de caneta Bic

Só contemplar a chuva não basta, querida...é preciso se molhar!
Pra conseguir sorrir todo dia, é preciso arriscar.
Riscar o chão, a pele, as paredes do quarto... antes que venham te chamar.
É possível voar quando se toca o ar, é só uma questão de perceber e aceitar as asas. Elas não são fantasia...fantasia é a realidade que inventaram pra gente, que nos fazem engolir todo dia junto com o feijão e a farinha.

Monday, December 04, 2006

".. a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza..."

A gente pode querer e não querer mais no segundo seguinte... Oscilar entre mãos e decisões como se fossem ruas desconhecidas... gritar e silenciar pra expressar as mesmas coisas... ser Maria e/ou João... ser um só e ser todos... ser nada e ser muito...
Eu posso.
Faço.
Refaço.
Volto.
Viro mundo.
Arrependo.
Você é que não entende...nada!

Nessas horas, dou um salve a Humberto!

Friday, December 01, 2006

A borboleta que virou lagarta

Do outro lado da janela tudo parece, e creio, que sempre parecerá mais fácil.
Enquanto o ônibus roda, a cabeça gira, e o mundo brinca de ciranda em mim, admito que não importa o quão livres sejamos, há sempre uma bagagem a ser presa até nos mais finos calcanhares...
Respiro uma liberdade contida, vistoriada, calculada, pensada e amarela de medo.
É chuva que não molha por completo, copos que só causam ressaca, causas que só causam peso...Precisar pensar se dou mais um passo em direção aos moinhos é pior que precisar pensar se eles deveras existem.